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Zoom... Carlos Vinhas Pereira

Zoom... Carlos Vinhas Pereira
Zoom... Carlos Vinhas Pereira
Neste espaço pretendemos dar a conhecer experiências, vivências empresariais, sociais, culturais e económicas.

Uma entrevista por mês, com profissionais de diferentes áreas. Empresários, gestores, políticos, professores, entre outros, deixarão o seu contributo intelectual de forma assertiva.

M. Carlos Vinhas Pereira, Presidente da Câmara de Comércio e Industria Franco-Portuguesa e Director Geral da seguradora Fidelidade Mundial sucursal de França. Jovem gestor de sucesso, desempenhou e desempenha um papel fundamental no contínuo desenvolvimento e afirmação da Fidelidade Mundial em França depois de 1997, gerindo bem a aposta na diferenciação de produtos e segmentos num sector por tradição extremamente difícil de entrar, e no qual assegurou à Fidelidade Mundial uma posição sólida. Em Dezembro de 2006 aceitou o desafio de liderar a Câmara de Comércio e Industria Franco-Portuguesa.

CCIFP

 

Desenvolver as relações económicas entre Portugal e outros países é de uma importância extrema para a economia portuguesa, na sua opinião, França é um dos países privilegiados para essas relações por que motivos?

A abertura ao exterior é vital para a economia portuguesa : o tamanho restrito do mercado interno, o seu aspecto geográfico e demográfico tornam incontornável a internacionalização dos seus produtos e serviços. A França deve constituir um dos eixos importantes para o desenvolvimento económico de Portugal, aliás já é o segundo cliente com 13,7% das exportações e o terceiro fornecedor registando 8,8% das importações. Quanto aos investimentos a França têm já um papel de relevo estando presente através de 400 filiais de firmas francesas as quais empregam 80 000 pessoas.
Podemos e devemos ir ainda mais longe e é esta uma das missões da CCIFP.


De que maneira a CCIFP estimula as relações económicas entre Portugal e França?

Estimular as relações económicas entre França e Portugal é, por um lado, vender a marca “Portugal” em França e, por outro, fornecer informações e serviços apropriados às empresas francesas. Demonstrar e consciencializar o tecido empresarial e os agentes com capacidade de investimento franceses da qualidade da produção portuguesa assim como da mais-valia indiscutível na relação preço/qualidade. Dar a conhecer ao mercado francês uma informação sempre actualizada e consistente das vantagens da economia portuguesa no sentido lato.


Que tipo de empresa se deve tornar membro da CCIFP?

Todos, mas sobretudo as que querem estar a par de todas as oportunidades de negócio entre França e Portugal mas igualmente entre empresas-membros. As que querem participar e fazer parte integrante duma rede de afinidades propícia aos negócios.


Quais os serviços que a CCIFP proporciona e de que forma podem ajudar a contribuir para a expansão de uma empresa?

O nosso objectivo principal é o de sermos um actor activo apoiando os nossos membros em domínios vários e sob diversas formas :
- proporcionar-lhes informação económica, fiscal e social
- permitir darem-se a conhecer junto dos outros membros e das empresas que solicitam a CCIFP, facilitando desta feita a aproximação e os contactos comerciais
- oferecer a possibilidade de apreender prioritariamente as oportunidades de negócio tanto em França como em Portugal
- permitir recrutar pessoal disponível e interessado pelas actividades dos membros
- facilitar as diligências administrativas e legais em termos de criação de empresas ou de investimento em Portugal ou em França, nomeadamente a domiciliação fiscal
- disponibilizar formações específicas tanto ao empresário como aos seus empregados.

Estes serviços não são exaustivos e serão enriquecidos regularmente, atendendo às diferentes necessidades e especificidades das empresas que incorporam a CCIFP.




De que forma a CCFIP consegue determinar as necessidades reais das empresas que requerem os serviços da Câmara de Comércio?

Para melhor respondermos às necessidades e expectativas dos nossos aderentes fizemos um estudo prévio junto dum painel significativo de empresas, o que nos permitiu implementar os serviços mais solicitados pela amostra representativa. Claro que estes serviços têm vocação a reforçarem-se com o desenvolvimento da CCIFP. O melhor meio é no entanto a relação quotidiana que nos temos com os aderentes e a atenção que lhes prestamos.


De acordo com a sua opinião, quais serão as maiores dificuldades de uma empresa Portuguesa que queira desenvolver relações económicas com um país como a França, ou vice-versa, e de que maneira a CCIFP pode colmatar esses entraves?


As principais dificuldades residem no desconhecimento das diligências administrativas e das regras fiscais características do país em questão. E por esta razão que a CCIFP põe à disposição dos seus membros serviços de domiciliação fiscal e facilita o contacto com gabinetes de contabilidade franco-portuguêses referenciados. Pomos também à disposição destas empresas bases de dados afim de facilitar a escolha deste novo mercado.


Como é que o CCIFP se dá a conhecer às empresas e de que forma mantém contacto com os seus membros?


Actualmente a CCIFP comunica essencialmente através do seu site, o que já constitui um real sucesso e dos membros que nos dão a conhecer junto dos seus contactos profissionais. O plano de comunicação ambicioso já apresentado em Assembleia-geral será em breve implementado o que nos permitirá abordar um maior número de empresas. A comunicação mais eficaz, no meu entender, é aquela que provirá directamente dos membros e das suas relações de negócios. A inteira satisfação dos membros é por conseguinte primordial para o êxito. Zelaremos em permanência pela obtenção e manutenção desse grau de satisfação como o faria qualquer empresa comercial relativamente aos seus clientes.


Existem cerca de 46000 empresas sedeadas em França dirigidas por portugueses e luso descendentes, de que forma irá a Câmara de Comércio lidar com este segmento?


Este segmento constitui uma oportunidade tanto para Portugal como para a CCIFP pois representa os actores económicos com maior capacidade de investimento no país de onde são originários ou com o qual mantêm afinidades. Defendemos a ideia que estes empresários podem contribuir de forma importante ao desenvolvimento económico de Portugal. Para tal devemos federá-los massivamente no seio da CCIFP, entregando-lhes toda a informação necessária sobre as oportunidades de negócios, garantindo um enquadramento e ajudando-os graças à cadeia de estruturas apropriadas, informá-los sobre os apoios que o governo português põe à sua disposição para os incitar ao investimento. Pretendemos ter um papel piloto nestas diligências junto das empresas-alvo desempenhando um papel preponderante tanto a montante como a jusante no processo de investimento em Portugal. Queremos contribuir também para o seu desenvolvimento mantendo-os em contacto permanente, em toda a França, dando-lhes a oportunidade de trabalharem em conjunto no seio da CCIFP.


De que maneira as empresas europeias, e no caso particular de Portugal e França, devem lidar com a crescente competição por parte das economias emergentes?

As empresas europeias devem aumentar as suas colaborações para conjugar sinergias e competir eficazmente com estas economias emergentes.
Devem acentuar a qualidade da sua produção e serviços, dando prioridade à utilização de um label “MADE IN EUROPA”, que constituirá uma garantia de qualidade de produção, de respeito de critérios sociais e uma contribuição real ao crescimento dos 27 Estados membros. Esta era aliás, uma das primeiras razões da criação do mercado comum. A abertura das fronteiras e a partilha de mais de 300 000 000 potenciais consumidores.
O que é válido à escala Europeia, é evidentemente aplicável às relações Franco Portuguesas que nos interessam mais particularmente.




A Fidelidade Mundial neste momento consegue fornecer serviços, através de França, a países como Bélgica, Holanda e Itália, existem planos para fornecer os vossos serviços noutros territórios?

Os países citados dependem comercialmente da Sucursal francesa; a Sede dispõe também de uma Sucursal em Espanha e em Macau e explora em regime de livre prestação de serviços actividades em Inglaterra e na Alemanha, existindo projectos de implantação tanto em Angola como em Moçambique.


Dos países mencionados existe algum com particular interesse para uma seguradora como a Fidelidade Mundial?

A França e a Espanha são dois países onde desejamos desenvolver fortemente as nossas competências, para servir os nossos compatriotas. Acompanhar as empresas portuguesas nestes dois países é de um modo geral aproveitar todas as oportunidades de negócios ou de segmentos de mercados, como faria, aliás, qualquer Companhia europeia.


A assinatura da seguradora que representa é: “Fidelidade Mundial. É ter o futuro bem presente.” De que forma a Fidelidade Mundial encara o futuro?


Para a Fidelidade-Mundial França, o futuro situa-se no desenvolvimento da gama de produtos dedicados aos particulares mas sobretudo destinados às empresas e nomeadamente às 46 000 que têm esta ligação de afinidade e cujo desenvolvimento pretendemos acompanhar em França e em Portugal. Para a casa mãe, o desenvolvimento passa pelo prosseguimento da internacionalização, acompanhamento dos nossos clientes internacionais e a captação de novos mercados. Não nos podemos esquecer dos 5 000 000 de portugueses que vivem e trabalham fora de Portugal.

 

Paris, 22 de Março de 2007

CCIFP